Bem-estar

Queixas sexuais na menopausa têm tratamento, diz especialista

ResumoA menopausa apresenta queixas sexuais como secura vaginal, dor na relação e perda de desejo, condições tratáveis e não naturais do envelhecimento. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) orienta que a saúde sexual integra o cuidado em todas as fases da vida, com terapias hormonais e não hormonais disponíveis para alívio dos sintomas.

Secura vaginal, dor durante a relação e perda do desejo sexual não são consequências naturais do envelhecimento. Ginecologista da Febrasgo explica que há tratamento e que a saúde sexual deve ser parte do cuidado em todas as fases da vida.

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 09 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Secura vaginal, dor durante a relação e perda do desejo sexual não são consequências naturais do envelhecimento.
  • Ginecologista da Febrasgo explica que há tratamento e que a saúde sexual deve ser parte do cuidado em todas as fases da vida.
Queixas sexuais na menopausa têm tratamento, diz especialista

Queixas sexuais na menopausa têm tratamento, diz especialista

Queixas como secura vaginal, dor durante a relação e perda do desejo sexual não devem ser encaradas como consequências naturais do envelhecimento nem ignoradas nas consultas médicas. Segundo a ginecologista Jussimara Souza Steglich, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a saúde sexual deve fazer parte do cuidado com a mulher em todas as fases da vida, inclusive após a menopausa.

A sexualidade não morre com a idade. Ela pode ficar obscurecida por algum fator que não deixa a mulher viver a sua sexualidade, explica a médica, que é membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia Febrasgo.

Tratamento existe e começa com o diálogo

O primeiro passo é reconhecer que o problema não é normal. Muitas mulheres, e também muitos profissionais, tratam essas queixas como parte inevitável do envelhecimento. Mas a especialista é direta: é um erro o profissional deduzir que a paciente não tem vida sexual.

"Muitas vezes, o ginecologista não pergunta sobre saúde sexual, ignorando as queixas, porque é uma paciente que já está em idade mais avançada e acha que não tem sexo", afirma Steglich.

Do outro lado, as mulheres têm vergonha de falar sobre o assunto. "As pessoas acham o sexo uma coisa muito proibida. Mas, ao contrário, tem que ser natural e conversada com o seu médico e, também com quem está com você", aconselhou a médica.

Abordagem vai além dos hormônios

O tratamento não se resume a uma pílula ou creme. De acordo com a médica, as mulheres têm de ter uma abordagem mental diferente, à qual se somam atividade física e boa alimentação.

"Porque é um combo que vem com a menopausa. Há também a questão dos hormônios que podem ser usados, com orientação do médico", explica.

Ou seja, o cuidado é multidisciplinar. A parte hormonal pode ajudar, mas só com prescrição e acompanhamento profissional.

Dor na relação pode ter outras causas

Nem toda queixa é diretamente ligada à menopausa. Jussimara admitiu que queixas femininas, como secura vaginal e dor durante as relações, podem também ser decorrentes de alguma doença.

A dor na relação, por exemplo, pode ser sentida profundamente na pelve, como resultado de endometriose ou aderências, doença inflamatória pélvica. Há também dores sentidas quase no assoalho pélvico.

"Essa mulher que sente dor vai contrair totalmente o corpo inteiro e, muito mais, os músculos do assoalho pélvico. Toda mulher que tem dor sexual tem o componente da dor e o componente da contratura muscular. Por isso, é importante um trabalho multidisciplinar", sugeriu a ginecologista.

Números que mostram a dimensão do problema

A longevidade feminina não pode ser discutida sem falar de menopausa e sexualidade. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres estão nessa faixa e dados nacionais apontam que 82% têm sintomas que impactam qualidade de vida.

Esses números reforçam a importância de o assunto sair do silêncio. Não se trata de um problema raro ou isolado, mas de uma realidade que atinge a maioria das mulheres brasileiras nessa fase.

O que fazer na prática

  • Leve o assunto à consulta: não espere o médico perguntar, traga a queixa de forma direta.
  • Busque um profissional atualizado: a Febrasgo orienta que a saúde sexual seja parte do cuidado em todas as fases.
  • Considere a abordagem multidisciplinar: atividade física, alimentação, saúde mental e, se indicado, hormônios.
  • Investigue outras causas: endometriose, aderências e doença inflamatória pélvica podem estar por trás da dor.

Perguntas Frequentes

Secura vaginal na menopausa tem cura?

Sim, tem tratamento. A secura vaginal pode ser aliviada com hidratantes vaginais, lubrificantes e, em alguns casos, terapia hormonal sob orientação médica. O importante é não ignorar o sintoma.

Dor durante a relação é sempre culpa da menopausa?

Não. A dor pode ter outras causas, como endometriose, aderências ou doença inflamatória pélvica. Por isso, a avaliação médica é essencial para identificar a origem.

Como falar sobre sexualidade com o ginecologista?

Seja direta. Leve uma lista de sintomas e perguntas. Se o profissional não der atenção, procure uma segunda opinião. A saúde sexual é parte do cuidado integral.

Hormônios são a única solução?

Não. A abordagem deve incluir mudança de mentalidade, atividade física, boa alimentação e, quando necessário, hormônios com prescrição médica. O tratamento é um combo, como explica a especialista.

O que a Febrasgo recomenda sobre menopausa e sexualidade?

A Febrasgo, por meio de sua Comissão Nacional Especializada em Sexologia, defende que a saúde sexual seja discutida em todas as fases da vida, inclusive após a menopausa, e que as queixas sejam levadas a sério.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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