Saude Mental

SUS terá 100 mil teleatendimentos mensais para vício em bets

ResumoO SUS (Sistema Único de Saúde) ampliou para até 100 mil teleatendimentos mensais destinados a pessoas com vício em apostas online (bets). O serviço, acessível pelo aplicativo Meu SUS Digital, inicia nesta terça-feira (4). A iniciativa oferece suporte psicológico e orientação para dependência de jogos, com sinais de alerta e canais de busca por ajuda.

O SUS ampliou para até 100 mil os teleatendimentos mensais para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online. Serviço pelo Meu SUS Digital começa nesta terça-feira (4). Veja sinais de alerta e como buscar ajuda.

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 04 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • O SUS ampliou para até 100 mil os teleatendimentos mensais para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online.
  • Serviço pelo Meu SUS Digital começa nesta terça-feira (4).
  • Veja sinais de alerta e como buscar ajuda.
SUS terá 100 mil teleatendimentos mensais para vício em bets

SUS terá 100 mil teleatendimentos mensais para vício em bets

Lembro de um amigo, aposentado como eu, que passou meses escondendo o celular da esposa. Não era outro relacionamento. Era o bolso vazio e a vergonha de ter apostado o dinheiro da farmácia. Ele nunca procurou ajuda, porque não sabia que existia um lugar para isso. Agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) está ampliando justamente essa porta de entrada.

A partir desta terça-feira (4), o SUS passa a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. O serviço, que começou em março com uma média de 600 atendimentos mensais, cresceu pela alta procura.

O que muda com a ampliação do teleatendimento do SUS?

A ferramenta é oferecida pelo aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). O atendimento é remoto, sigiloso e acolhedor. Funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Na prática, quem procura o serviço recebe orientação e acompanhamento profissional. Não é um conselho genérico. É um primeiro passo concreto, com gente preparada do outro lado da tela.

Por que a procura aumentou tanto?

Os números do Ministério da Saúde explicam a necessidade da expansão. Mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão do CPF de sites e aplicativos de apostas, por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas.

O dado mais revelador: 35% das pessoas acionaram a autoexclusão porque perderam o controle sobre as apostas. Não é falta de força de vontade. É um sintoma, e o SUS está tratando como questão de saúde pública.

Sinais de alerta: quando o jogo deixou de ser lazer

O ministério listou alguns sinais de alerta. Se você ou alguém próximo se encaixa em mais de um, pode ser hora de buscar ajuda.

  • Dificuldade em parar de apostar, mesmo depois de perder
  • Pensamento constante sobre apostas, mesmo em outras atividades
  • Necessidade de apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma emoção
  • Mentir para a família ou amigos sobre o tempo e o dinheiro gastos
  • Apostar para recuperar perdas, entrando em um ciclo vicioso
  • Abandono de hobbies, trabalho ou convívio social por causa das apostas
  • Sintomas de ansiedade ou irritação quando tenta reduzir ou parar

Esses sinais não são um diagnóstico. São um convite à conversa. Quem viveu sabe: o silêncio alimenta o problema.

Fatores de risco: o que aumenta a chance de desenvolver o vício

A pasta também listou fatores de risco. Conhecê-los ajuda na prevenção, antes que o problema se instale.

  • Exposição precoce a jogos e apostas, ainda na adolescência
  • Histórico familiar de dependência, seja de álcool, drogas ou jogo
  • Facilidade de acesso a plataformas de apostas, com ofertas constantes
  • Uso de apostas como forma de lidar com estresse, ansiedade ou tédio
  • Ilusão de controle, a crença de que é possível "ganhar sempre"
  • Pressão social ou de pares para apostar, especialmente em grupos de amigos

Nenhum fator sozinho determina o vício. Mas a combinação deles, somada à falta de informação, cria um terreno fértil.

Como funciona o atendimento pelo Meu SUS Digital

O caminho é simples. Quem busca ajuda abre o aplicativo Meu SUS Digital e acessa o serviço de teleatendimento. O atendimento é sigiloso, então o que for falado fica entre o paciente e o profissional.

A parceria entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a AgSUS garante que o serviço seja gratuito e integrado ao SUS. Não é um serviço paralelo. É uma porta de entrada para a Raps, que inclui centros de atenção psicossocial e outros pontos de cuidado.

Para quem tem dificuldade com tecnologia, vale pedir ajuda a um familiar ou ir a uma unidade de saúde. O profissional de lá pode orientar sobre o acesso ao aplicativo e ao serviço.

A autoexclusão como ferramenta complementar

Além do teleatendimento, existe a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Ela permite que a pessoa bloqueie o próprio CPF em sites e aplicativos de apostas. Mais de 1 milhão de pessoas já usaram esse recurso.

A autoexclusão é uma medida prática, mas não substitui o acompanhamento profissional. Ela tira o acesso, mas não resolve a raiz do problema. O ideal é combinar as duas coisas: o bloqueio do acesso e o suporte psicológico.

Prevenção prática: o que fazer no dia a dia

Prevenir é mais fácil do que remediar, mas exige atitude. Algumas medidas simples podem reduzir o risco, especialmente para quem está começando.

  • Estabeleça um limite de gasto mensal com lazer e não ultrapasse
  • Use a autoexclusão preventivamente, se sentir que está perdendo o controle
  • Converse abertamente com a família sobre o tema, sem tabu
  • Busque alternativas de lazer que não envolvam apostas
  • Desconfie de promessas de ganho fácil, que são o motor das plataformas

Não estou dizendo que é fácil. Mas cada passo conta, e o primeiro pode ser uma conversa.

Quando procurar ajuda profissional

Se os sinais de alerta aparecem com frequência, ou se você já tentou parar sozinho e não conseguiu, procure ajuda. O teleatendimento do SUS é um ponto de partida. O profissional vai avaliar o caso e encaminhar para o cuidado mais adequado.

A vergonha é o pior conselheiro. Meu amigo, o do celular escondido, só foi se abrir depois que a esposa descobriu as dívidas. Ele não procurou o SUS, mas hoje diz que gostaria de ter tido essa porta aberta.

Envelhecer é continuar começando. Começar um tratamento, mesmo aos 70, é um recomeço possível. A maturidade tem seus próprios planos, e cuidar da saúde mental faz parte deles.

Perguntas Frequentes

O teleatendimento do SUS para vício em bets é gratuito?

Sim, o serviço é oferecido pelo SUS, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Ministério da Fazenda e a AgSUS. Não há custo para o usuário.

Como faço para acessar o teleatendimento?

Basta abrir o aplicativo Meu SUS Digital e procurar pelo serviço de teleatendimento para problemas com jogos e apostas. O atendimento é remoto, sigiloso e acolhedor.

O que é a autoexclusão do CPF?

É uma ferramenta da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que permite bloquear o próprio CPF em sites e aplicativos de apostas. Mais de 1 milhão de pessoas já usaram.

O teleatendimento substitui o tratamento presencial?

Não. O teleatendimento é uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Ele oferece orientação e acompanhamento, mas pode encaminhar para cuidados presenciais, se necessário.

Quais são os principais sinais de alerta?

Dificuldade em parar, pensamento constante sobre apostas, necessidade de apostar valores maiores, mentir sobre o tempo gasto, tentar recuperar perdas e abandono de atividades são alguns dos sinais listados pelo Ministério da Saúde.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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