SUS terá 100 mil teleatendimentos mensais para vício em bets
O SUS ampliou para até 100 mil os teleatendimentos mensais para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online. Serviço pelo Meu SUS Digital começa nesta terça-feira (4). Veja sinais de alerta e como buscar ajuda.
Resumo rápido
- O SUS ampliou para até 100 mil os teleatendimentos mensais para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online.
- Serviço pelo Meu SUS Digital começa nesta terça-feira (4).
- Veja sinais de alerta e como buscar ajuda.
SUS terá 100 mil teleatendimentos mensais para vício em bets
Lembro de um amigo, aposentado como eu, que passou meses escondendo o celular da esposa. Não era outro relacionamento. Era o bolso vazio e a vergonha de ter apostado o dinheiro da farmácia. Ele nunca procurou ajuda, porque não sabia que existia um lugar para isso. Agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) está ampliando justamente essa porta de entrada.
A partir desta terça-feira (4), o SUS passa a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. O serviço, que começou em março com uma média de 600 atendimentos mensais, cresceu pela alta procura.
O que muda com a ampliação do teleatendimento do SUS?
A ferramenta é oferecida pelo aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). O atendimento é remoto, sigiloso e acolhedor. Funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
Na prática, quem procura o serviço recebe orientação e acompanhamento profissional. Não é um conselho genérico. É um primeiro passo concreto, com gente preparada do outro lado da tela.
Por que a procura aumentou tanto?
Os números do Ministério da Saúde explicam a necessidade da expansão. Mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão do CPF de sites e aplicativos de apostas, por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas.
O dado mais revelador: 35% das pessoas acionaram a autoexclusão porque perderam o controle sobre as apostas. Não é falta de força de vontade. É um sintoma, e o SUS está tratando como questão de saúde pública.
Sinais de alerta: quando o jogo deixou de ser lazer
O ministério listou alguns sinais de alerta. Se você ou alguém próximo se encaixa em mais de um, pode ser hora de buscar ajuda.
- Dificuldade em parar de apostar, mesmo depois de perder
- Pensamento constante sobre apostas, mesmo em outras atividades
- Necessidade de apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma emoção
- Mentir para a família ou amigos sobre o tempo e o dinheiro gastos
- Apostar para recuperar perdas, entrando em um ciclo vicioso
- Abandono de hobbies, trabalho ou convívio social por causa das apostas
- Sintomas de ansiedade ou irritação quando tenta reduzir ou parar
Esses sinais não são um diagnóstico. São um convite à conversa. Quem viveu sabe: o silêncio alimenta o problema.
Fatores de risco: o que aumenta a chance de desenvolver o vício
A pasta também listou fatores de risco. Conhecê-los ajuda na prevenção, antes que o problema se instale.
- Exposição precoce a jogos e apostas, ainda na adolescência
- Histórico familiar de dependência, seja de álcool, drogas ou jogo
- Facilidade de acesso a plataformas de apostas, com ofertas constantes
- Uso de apostas como forma de lidar com estresse, ansiedade ou tédio
- Ilusão de controle, a crença de que é possível "ganhar sempre"
- Pressão social ou de pares para apostar, especialmente em grupos de amigos
Nenhum fator sozinho determina o vício. Mas a combinação deles, somada à falta de informação, cria um terreno fértil.
Como funciona o atendimento pelo Meu SUS Digital
O caminho é simples. Quem busca ajuda abre o aplicativo Meu SUS Digital e acessa o serviço de teleatendimento. O atendimento é sigiloso, então o que for falado fica entre o paciente e o profissional.
A parceria entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a AgSUS garante que o serviço seja gratuito e integrado ao SUS. Não é um serviço paralelo. É uma porta de entrada para a Raps, que inclui centros de atenção psicossocial e outros pontos de cuidado.
Para quem tem dificuldade com tecnologia, vale pedir ajuda a um familiar ou ir a uma unidade de saúde. O profissional de lá pode orientar sobre o acesso ao aplicativo e ao serviço.
A autoexclusão como ferramenta complementar
Além do teleatendimento, existe a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Ela permite que a pessoa bloqueie o próprio CPF em sites e aplicativos de apostas. Mais de 1 milhão de pessoas já usaram esse recurso.
A autoexclusão é uma medida prática, mas não substitui o acompanhamento profissional. Ela tira o acesso, mas não resolve a raiz do problema. O ideal é combinar as duas coisas: o bloqueio do acesso e o suporte psicológico.
Prevenção prática: o que fazer no dia a dia
Prevenir é mais fácil do que remediar, mas exige atitude. Algumas medidas simples podem reduzir o risco, especialmente para quem está começando.
- Estabeleça um limite de gasto mensal com lazer e não ultrapasse
- Use a autoexclusão preventivamente, se sentir que está perdendo o controle
- Converse abertamente com a família sobre o tema, sem tabu
- Busque alternativas de lazer que não envolvam apostas
- Desconfie de promessas de ganho fácil, que são o motor das plataformas
Não estou dizendo que é fácil. Mas cada passo conta, e o primeiro pode ser uma conversa.
Quando procurar ajuda profissional
Se os sinais de alerta aparecem com frequência, ou se você já tentou parar sozinho e não conseguiu, procure ajuda. O teleatendimento do SUS é um ponto de partida. O profissional vai avaliar o caso e encaminhar para o cuidado mais adequado.
A vergonha é o pior conselheiro. Meu amigo, o do celular escondido, só foi se abrir depois que a esposa descobriu as dívidas. Ele não procurou o SUS, mas hoje diz que gostaria de ter tido essa porta aberta.
Envelhecer é continuar começando. Começar um tratamento, mesmo aos 70, é um recomeço possível. A maturidade tem seus próprios planos, e cuidar da saúde mental faz parte deles.
Perguntas Frequentes
O teleatendimento do SUS para vício em bets é gratuito?
Sim, o serviço é oferecido pelo SUS, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Ministério da Fazenda e a AgSUS. Não há custo para o usuário.
Como faço para acessar o teleatendimento?
Basta abrir o aplicativo Meu SUS Digital e procurar pelo serviço de teleatendimento para problemas com jogos e apostas. O atendimento é remoto, sigiloso e acolhedor.
O que é a autoexclusão do CPF?
É uma ferramenta da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que permite bloquear o próprio CPF em sites e aplicativos de apostas. Mais de 1 milhão de pessoas já usaram.
O teleatendimento substitui o tratamento presencial?
Não. O teleatendimento é uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Ele oferece orientação e acompanhamento, mas pode encaminhar para cuidados presenciais, se necessário.
Quais são os principais sinais de alerta?
Dificuldade em parar, pensamento constante sobre apostas, necessidade de apostar valores maiores, mentir sobre o tempo gasto, tentar recuperar perdas e abandono de atividades são alguns dos sinais listados pelo Ministério da Saúde.
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Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.